Acordei antes do sol.Não foi o trabalho que me tirou da cama — foi a dor. Surda, constante, instalada no centro do peito como uma brasa que ninguém pediu e que se recusava a apagar. Fiquei deitada por alguns minutos tentando convencer meu corpo de que era cansaço, tensão muscular, qualquer coisa que tivesse nome e solução simples.Meu lobo não me deixou mentir por muito tempo.Ele estava diferente desde a noite anterior. Não mais silencioso como eu estava acostumada — agora era uma presença constante, quente e inquieta, como uma chama que alguém havia acendido sem a minha permissão. Cada vez que eu tentava ignorá-lo, ele empurrava de volta, insistente, com uma urgência que eu não sabia como nomear.Me levantei. Me vesti. Fui trabalhar.Era o que eu sabia fazer quando o mundo ficava grande demais: reduzi-lo a tarefas. Um passo, depois o próximo. Uma caixa carregada, depois outra. O trabalho não resolvia nada, mas ocupava as mãos e, se eu tivesse sorte, a cabeça.Naquela manhã não tive
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