MADRI, JUNHO DE 1999 "Pode sonhar o quanto quiser com um herdeiro, Juan, mas você jamais terá esse filho comigo!" Eu repetia na mente. A cada degrau que eu subia do jatinho particular e a mão suada dele empurrava minhas costas, minha decisão ecoava mais forte. Desde o pôr do sol, os 27 mil dólares roubados do cofre do meu marido pesavam no fundo da minha bolsa. As alças da Chanel cravadas em meu ombro eram uma sentença. Não importava o que acontecesse, Laura Montoya tinha que desaparecer do mapa naquela noite. ─ Don Montoya, bem-vindo a bordo. ─ A comissária sorriu na porta. Juan a empurrou de lado. ─ Não fique no caminho, mocinha. Dê espaço para minha esposa. Ela baixou a cabeça, dando um passo para trás. A mão do meu marido deslizou da minha lombar e me indicou a cadeira ao seu lado. Eu dei a volta e me sentei na poltrona de frente, perto da janela. Não era que eu gostaria de apreciar a paisagem durante o voo. Meus planos não incluíam decolar, aliás. Seria a rota mais fácil
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