A manhã começou com o sol filtrando pelas janelas do quarto de Laura, mas, desta vez, a luz parecia mais gentil, quase acolhedora. Laura acordou sozinha, enrolada no cobertor, com os olhos ainda sonolentos. Ao vê-la ali, percebi a fragilidade e a força que coexistiam em cada gesto dela. Ela tinha passado por tanto nos últimos dias, e ainda assim continuava tentando se manter inteira, como se a sua inocência fosse uma barreira contra o mundo adulto que insistia em machucá-la. — Bom dia, meu amor — disse, entrando devagar no quarto. Ela abriu um sorriso fraco, mas verdadeiro, e eu percebi que, apesar de tudo, ainda confiava em mim. A confiança de uma criança é frágil, mas quando existe, é preciosa demais para ser ignorada. Sentei-me ao lado da cama, e ela se aninhou contra mim, respirando fundo, como se ainda estivesse absorvendo a segurança do abraço. Augusto entrou logo depois, hesitante, mas com algo diferente na postura. Não havia a tensão contida dos últimos dias, mas sim um cui
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