Entre Céus e Promessas: Sempre Foi Você
Entre Céus e Promessas: Sempre Foi Você
Por: S.R. Oliveira
PRÓLOGO

A música pulsava como um coração descompassado. “Moth To a Flame” preenchia o ar denso do clube, cada batida vibrando no meu peito como se fosse feita para mim — ou melhor, para aquele momento. As luzes dançavam pelo salão como fantasmas elétricos, azuis e vermelhos, se misturando na névoa artificial que cobria o chão. E então eu a vi. 

No centro da pista, com a cabeça jogada para trás, olhos fechados, como se estivesse flutuando entre o som e a luz. O vestido preto abraçava seu corpo com uma intimidade que me deixava hipnotizado. O feixe azul refletia na pele dela, fazendo com que parecesse irreal, como uma visão moldada por desejo e memória. O colar delicado no pescoço brilhava como uma estrela solitária. 

Eu a conheço. Sempre a conheci. Desde os tempos em que dividíamos risadas ingênuas e tardes sem promessas. Mas fui covarde — ou cego. Nunca disse. Nunca ousei. Agora, ela está noiva de outro. Ele tem seu sorriso, seus sonhos, suas manhãs. 

Mas olhando ela dançar, entregue, livre, eu entendi tudo. Entendi que sempre foi ela. Que cada relacionamento meu foi uma tentativa falha de esquecê-la. Que todas as músicas, todas as noites solitárias, tinham seu nome ecoando nos meus pensamentos. 

E ali, parado entre corpos estranhos e desejos que não me pertencem, eu decidi. Eu vou lutar por ela. 

 Porque às vezes, mesmo quando tudo parece tarde demais, a chama ainda pode queimar. E eu sou só mais uma mariposa — louca, cega — que ainda acredita que pode tocar a luz sem se perder. 

Ela girou devagar, como se o tempo obedecesse aos seus movimentos. Cada passo era uma confissão muda, cada gesto, uma poesia que só os atentos conseguiam ler. E eu lia. Como nunca antes. 

Meu coração batia forte. Não por causa da música, mas por causa da decisão que acabara de tomar. A dúvida, que por anos me travou, agora parecia ridícula diante da certeza que nascia dentro de mim: ela não é dele. Ainda não. Ainda há tempo. 

Caminhei em direção à pista, como quem invade um campo de guerra com o peito aberto. Ela não me viu, perdida naquele transe encantado. O noivo não estava ali. Talvez confiasse demais, talvez não entendesse o que tinha nas mãos. Ou talvez, no fundo, ele soubesse que a alma dela nunca foi completamente dele. 

As luzes mudaram. Um feixe dourado caiu sobre ela, e por um segundo, eu juro que o mundo inteiro parou. Ela abriu os olhos. E me viu. 

Por um instante, não havia passado, não havia noivado, não havia medo. Só nós dois. O olhar dela me atravessou com uma força que fez minhas pernas quase cederem. Mas eu não parei. 

Me aproximei. Não disse nada. Apenas estendi a mão. 

 Ela olhou, hesitou por uma fração de segundo, e então — como se sempre soubesse que esse momento chegaria — segurou meus dedos. 

O mundo voltou a girar. Mas agora era diferente. 

Ali, no meio de tantos desconhecidos, dançamos. Pela primeira vez. E mesmo que ela não tenha dito uma palavra, eu ouvi tudo o que precisava. Ainda havia uma chama. 

E eu estava disposto a incendiá-la com tudo que tenho.

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