A loja tinha cheiro de tecido novo e expectativa demais para caber naquele espaço estreito. Rolo de tule empilhado, espelhos altos, luz branca que não perdoava inseguranças. Minha mãe andava de um lado para o outro com a prancheta na mão, conversando animada com a costureira como quem estivesse orquestrando um espetáculo — e, de certa forma, estava.Havia brilho nos olhos dela. Um tipo específico de alegria, concentrada, quase obstinada. Daquelas que não aceitam falhas.— Esse é o último ajuste antes do grande dia — disse Laura, sorrindo largo. — Quero tudo perfeito.Perfeito.A palavra bateu em mim como um botão apertado onde não devia. Observei Helen sentada em uma das cadeiras, pernas cruzadas, analisando tudo com aquele olhar clínico que ela tinha para pessoas — nunca para tecidos. Comentava detalhes, dava palpites, ria baixo.— Estela, vem ver sua mãe — chamou. — Está ficando linda.Minha mãe saiu do provador
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