A escuridão do quarto era quase um abraço, mas eu mal conseguia respirar direito. A cabeça girava, o corpo pesado demais para pensar, para argumentar. Pedro me segurava firme, me guiando até a cama, até sentar-me na beirada. — Fica aqui — murmurou, baixo, quase uma ordem que não admitia questionamento. — Eu não vou te deixar sozinha agora. Tentei protestar, mas a garganta seca, a tontura e o calor da presença dele me calaram. O mundo girava, e eu não tinha forças para lutar. Apenas me recostei, sentindo o toque de suas mãos nos meus ombros, o cheiro dele invadindo cada espaço ao redor. — Está bem assim? — perguntou, com uma preocupação que soava estranha e intensa. Assenti, incapaz de formar palavras coerentes. Ele se sentou ao meu lado, mantendo um espaço respeitoso, mas não suficiente para me deixar sozinha. A respiração dele era calma, constante, enquanto a minha continuava descompassada, misturando álcool, adrenalina e a lembrança do que acabara de acontecer. O tempo passou s
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