A despedida começou como qualquer outra reunião animada demais para ser completamente inocente. Risadas espalhadas pela casa, música alta o suficiente para abafar conversas sérias, copos sendo enchidos sem que ninguém realmente perguntasse se eu queria.Eu queria.Mas não queria pensar.Minha mãe estava diferente naquela noite. Mais leve. Mais solta. Ria com a cabeça jogada para trás, aceitava abraços longos, brindes exagerados, promessas de felicidade eterna ditas por pessoas que não estariam ali no mês seguinte. Ver aquilo me dava um nó estranho no peito — orgulho e medo misturados, como se aquela alegria também fosse frágil demais para ser tocada.— Estela, você quase não bebe — alguém comentou, já estendendo a garrafa antes que eu respondesse.Deixei.O álcool desceu devagar, sem pressa. Não queimou. Aqueceu. Espalhou uma sensação confortável pelo corpo, como se tivesse sido feito para dissolver exatamente o que eu vinha segurando há dias.A música mudou e, sem perceber quando, co
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