LIZZY... A noite cai devagar, como um véu cinzento cobrindo tudo o que sobrou de mim. Meu apartamento está mergulhado em silêncio, apenas quebrado por soluços esporádicos que tento esconder até de mim mesma. As luzes estão apagadas. Não porque esqueci, mas porque não suporto ver o reflexo de nada, nem o meu. Estou sentada no chão, encostada na parede da sala, os olhos inchados, a garganta em carne viva. A aliança que arranquei do dedo ainda está jogada no tapete, como se me observasse. Como se me julgasse. Quis ser forte… mas agora só me sinto vazia. A campainha toca. Levanto devagar, o corpo pesado, como se cada músculo estivesse coberto por uma couraça de tristeza. Quando abro a porta, encontro Sofia. Seus olhos aflitos me encaram por trás das lentes, e, ao ver meu estado, ela não diz nada. Apenas me abraça. E desabo. — Ele… ele mentiu pra mim, Sofia… — sussurro contra o ombro dela, me agarrando como se fosse meu último ponto de apoio. — Eu sei, Lizzy… eu sei. — Sua voz é cal
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