Bruno Gosmound não me arrastou. Ele não precisava disso. Havia algo na forma como ele se movia, uma calma absoluta e gélida, que fazia meus pés o seguirem quase por instinto. Ele ofereceu o braço, e eu aceitei, sentindo o tecido caro do seu terno contra a ponta dos meus dedos. Caminhamos pelo salão em direção ao hall de entrada da mansão, longe do barulho da música e do cheiro de suor e uísque dos mafiosos bêbados. Lorenzo ficou para trás. Eu sentia os olhos dele cravados nas minhas costas, queimando como brasas, mas Bruno nem se deu ao trabalho de olhar para trás. Para ele, Lorenzo era um soldado leal, um detalhe na paisagem. E isso, de alguma forma, era mais assustador do que qualquer grito ou ameaça. O hall da mansão era imenso, com o chão de mármore refletindo as luzes dos lustres de cristal. O silêncio ali era pesado, interrompido apenas pelo som dos meus saltos e dos passos firmes de Bruno. Paramos perto de uma das colunas de sustentação, onde a sombra era mais densa. — Você t
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