O carro desliza pelas ruas como se o mundo lá fora estivesse em câmera lenta. O interior é silencioso demais, confortável demais, e ainda assim meus pensamentos não encontram descanso. Matteo dirige com uma mão no volante, a outra apoiada de forma relaxada, o olhar atento à frente. Ele parece completamente à vontade, como se nada fosse capaz de tirá-lo do controle. Respiro fundo algumas vezes antes de criar coragem. — Matteo… — chamo, a voz um pouco hesitante. Ele inclina levemente a cabeça, sinalizando que está ouvindo, mas não tira os olhos da estrada. — Você é da França, não é? Ele sorri de canto, um sorriso discreto, quase imperceptível, mas real. — O sotaque me entregou? — pergunta, com um leve tom de provocação. — A forma como você fala… — explico. — As palavras arrastadas, o jeito como muda a entonação quando fica sério. Não parece… daqui. Ele finalmente olha para mim por um segundo, rápido, intenso, e depois volta a atenção para o trânsito. — Sim — responde.
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