A cama range levemente quando me aproximo, mas Matteo nem levanta o olhar de imediato. Ele está sentado à beira dela, apenas de cueca, o tronco inclinado para frente, concentrado em limpar o próprio machucado na mão. O pano branco já está manchado de vermelho. Por algum motivo, aquela cena me aperta o peito mais do que tudo o que vi hoje. — Deixa eu — digo baixo, antes mesmo de pensar. Ele hesita por um segundo. Só um. Então afrouxa os dedos e me entrega o pano, como se aquela rendição fosse maior do que parece. Me ajoelho à frente dele. Suas mãos são grandes, fortes, mas agora estão imóveis sob o meu toque. Limpo com cuidado, devagar, como se cada gesto fosse um pedido silencioso para que ele confie. Matteo solta um suspiro longo, cansado. — Quando eu era mais novo… — começa, a voz distante — sempre que eu me machucava, minha mãe mandava eu cuidar sozinho. Levanto o olhar para ele, surpresa, mas não digo nada. Apenas continuo. — Ela dizia que o mundo não teria pena de mim — e
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