O corredor estava imerso na penumbra. Sentei-me no chão de madeira, esticando as pernas, e apoiei a cabeça na porta trancada. Eu podia ouvir a respiração dela do outro lado. Irregular. Assustada. Ela estava ali, encostada na mesma madeira que eu, provavelmente segurando aquela faca de cozinha como se fosse sua única amiga.— Elisa… — comecei, a voz embargada. — Eu sei que você está aí. E sei que você está armada. Você tem todo o direito de estar.Houve um silêncio tenso. Nem um som.— Eu recebi um dossiê hoje — continuei, falando para o ar. — Sobre o Lucas. Sobre as outras mulheres. A Mariana, a Fernanda, a Beatriz. Eu li os depoimentos. Li sobre o vinho, sobre as horas extras forçadas, sobre as ameaças de destruir carreiras.Ouvi um soluço abafado do outro lado. Um som pequeno, de quem tenta segurar o choro há muito tempo.— Eu sei que ele te assediou, Elisa. Eu sei que ele te encurralou naquela agência. E sei que você fugiu dele. — Fechei os olhos, sentindo a vergonha queimar meu ro
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