O silêncio da mansão, depois que Eva adormeceu, era de um tipo diferente.Durante o dia, mesmo com a ausência de Helen e Dante, havia um zumbido de atividade – o sussurro do ar-condicionado, os passos distantes da equipe de limpeza em outro andar, o tilintar ocasional de alguém na cozinha. Mas agora, no início da tarde, com a criança mergulhada em um sono pesado induzido pelo remédio, a casa parecia ter prendido a respiração.Eu estava sentada no chão do quarto de brinquedos, de costas contra a cama de Eva, a pasta marrom de Dante aberta no colo. As páginas eram um mapa de uma vida minúscula e delicada: horários de medicação (8h, 14h, 20h), alergias (penicilina, nozes), horário da soneca (14h às 16h), alimentos preferidos (macarrão com queijo, mas só se o queijo for derretido de um jeito específico). Havia observações escritas à mão em algumas margens, numa letra firme e impessoal que só podia ser de Dante. "Acorda com pesadelos às terças e quintas. Prefere a luz do corredor acesa." "
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