A porta se fechou.
O som ecoou no corredor como o prenúncio de uma tempestade. Eu fiquei parada do lado de fora, a mão ainda estendida no ar, como se pudesse segurar os acontecimentos que já tinham escapado do meu controle.
Esperei.
Esperei ouvir gritos. A voz de Dante, carregada de uma fúria que seu dinheiro não conseguiria comprar de volta. A defesa cortante de Helen, ou talvez, quem sabe, um pedido de desculpas que nunca viria.
Mas não veio nada.
Apenas silêncio.
Um silêncio tão denso, tão absoluto, que começou a me consumir por dentro. O que estava acontecendo ali? Uma briga silenciosa? Um acordo frio? Ou algo pior — uma aceitação?
A curiosidade — ou talvez o desespero — me arrastou até a porta. Coloquei a mão na maçaneta fria. Hesitei. Isto era loucura. Era invasão. Era pedir para ser atropelada pelo furacão que eu mesmo havia ajudado a criar.
Mas abri.
E o mundo desmoronou de uma maneira completamente diferente.
Não era um quarto.
Era um escritório. Amplo, iluminado pela luz mat