DANTE A memória vem em fragmentos, mas cada uma delas ainda sangra.A noite passada não sai da minha cabeça.O cheiro do porto ainda parece entranhado nas minhas roupas, na minha pele, na minha alma. Peixe podre, óleo queimado, desespero. Muito desespero.Era madrugada quando cheguei. Os meus detetives tinham mandado a localização: galpão 7, zona sul do porto, abandonado há anos. Rodrigo estava lá, escondido como rato em sua toca.Lembro de cada passo em direção àquele galpão. O concreto molhado sob meus sapatos. As luzes dos postes piscando, criando sombras que dançavam como espectadores sedentos por sangue. O vento frio vindo do mar, trazendo promessas de tempestade.Meus homens estavam posicionados ao redor. Não entrariam a menos que eu ordenasse. Isso era pessoal.A porta de ferro rangeu quando empurrei. Dentro, o escuro era quase absoluto — apenas um foco de luz vindo de uma lamparina improvisada no canto. E lá, sentado no chão, encolhido como um animal acuado, estava Rodrigo.E
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