O som das ondas quebrando na areia acompanhava os passos lentos de Marye pela praia. O vento frio bagunçava seus cabelos loiros, e o céu de Los Angeles, tingido por tons alaranjados do pôr do sol, parecia refletir o turbilhão que se formava dentro dela. Desde a conversa com o avô e a revelação sobre sua mãe, tudo havia se tornado mais intenso, mais real, mais difícil de ignorar.
Ela sentia que estava diante de uma encruzilhada. Não apenas em relação a Daniel, mas à própria vida.
Daniel a observava alguns passos atrás, respeitando o silêncio que ela parecia precisar. Estar perto de Marye novamente despertava nele emoções que nunca haviam adormecido de verdade. Durante quatro anos, tentara seguir em frente, mas nenhuma mulher conseguira ocupar o espaço que ela deixara. Agora, ali, tão perto, sentia medo. Medo de tocá-la e perder tudo outra vez.
— Às vezes, eu acho que a vida gosta de brincar com a gente — disse Marye, quebrando o silêncio. — Justo quando começo a me sentir mais forte, t