A manhã chegou com uma luz suave, quase respeitosa, como se o dia soubesse que algo delicado havia acontecido durante a noite. Marye despertou lentamente, o corpo ainda envolto por uma sensação estranha de calma misturada à inquietação. Por um breve segundo, não se lembrava de onde estava. Depois, o cheiro familiar — amadeirado, sóbrio — trouxe tudo de volta.Gustavo.Ela sentou-se na cama, passando a mão pelos cabelos. Não havia arrependimento. Mas também não havia leveza. O que existia era uma consciência nova, pesada e clara: algo tinha sido despertado, e não seria possível fingir que não.Vestiu-se em silêncio e saiu do quarto. Encontrou Gustavo na cozinha, já arrumado, camisa escura, mangas dobradas, como se estivesse pronto para enfrentar o mundo — ou fugir dele.— Bom dia — disse ela.— Bom dia — respondeu ele, virando-se devagar.O olhar que trocaram foi contido, mas intenso. Não havia constrangimento. Havia respeito. E algo não dito pulsando entre eles.— Dormiu bem? — pergun
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