DanteO pesadelo veio como uma onda, arrastando-me para o passado com uma clareza cruel. Eu estava no carro, as mãos firmes no volante, o ronco do motor um eco distante sob a voz desafinada de Laura, minha esposa, cantando uma música antiga que ela adorava. Seu cabelo loiro brilhava sob a luz do sol poente, e ela virava o rosto para mim, rindo, os olhos verdes cheios de vida.— Você vai assustar o bebê com esse som — brinquei, a voz leve, um sorriso escapando enquanto a olhava. Era raro me sentir tão leve, tão humano, mas com ela, eu era apenas Dante, não o chefe do cartel.Laura riu, um som que aquecia meu peito, e virou-se para o banco de trás, onde Luca dormia na cadeirinha, o rostinho tranquilo.— Ele dorme tão pesado quanto o pai — disse ela, a voz suave, cheia de carinho.Olhei pelo retrovisor, confirmando que Luca estava bem, mas meu sorriso morreu quando notei um carro preto colado na nossa traseira. As janelas escuras, a velocidade constante — algo estava errado. Meu instinto
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