Emma
Os dias se arrastaram como uma névoa densa, cada um mais silencioso que o anterior. Desde aquela noite no meu quarto, quando Dante invadiu meu espaço com fúria nos olhos e um toque que queimava, eu não o vi mais. A memória daquele momento ainda me fazia estremecer — a alça rasgada do vestido, o olhar faminto. Ele me soltara, envergonhado, e desaparecera, mas suas palavras ecoavam em minha mente como um aviso: a ameaça de me entregar a Salazar, o homem que, segundo ele, me destruiria sem piedade. Eu sabia que ele não cumprira a promessa, e isso, de alguma forma, me aliviava. Mas o alívio vinha misturado com um peso — a certeza de que Dante ainda controlava cada detalhe da minha vida, mesmo estando ausente.
Passei esses dias evitando os corredores onde ele poderia estar, mantendo-me ocupada com Luca. O menino era um raio de luz em meio à opressão da mansão, sua risada enchendo o jardim enquanto desenhamos com giz ou corríamos atrás de borboletas. Hoje, sob o sol quente da manhã, es