Falar com o Rui na sexta-feira à tarde ajudou a dar um ar de normalidade à situação. Estávamos na agência de Sintra, rodeados pelo cheiro a café e papel, o que me fez sentir segura.— Três dias por semana em Lisboa? — ele repetiu, ajeitando os óculos. — Parece-me uma decisão excelente, Lya. Estares lá, no centro da decisão, vai acelerar tudo. Faz todo o sentido para a parceria.Eu acenei, mantendo a expressão o mais neutra possível. Por dentro, o estômago dava nós de ansiedade, mas por fora eu era a imagem da eficiência. Quando ele sugeriu levar alguém da equipa para me apoiar, recusei prontamente. Eu só queria evitar riscos. Evitar perguntas de colegas que me conheciam bem demais, como a Bianca, cujos olhos pareciam ler os meus pensamentos. Queria evitar o reconhecimento daquela eletricidade estática que parecia estalar no ar sempre que eu e o Lourenzo Villar estávamos no mesmo código postal.Ali mesmo, decidi: profissionalismo absoluto. Frieza estratégica. Distância se
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