Ana voltou para o quarto logo depois de sair do escritório. Fechou a porta atrás de si com mais cuidado do que o habitual, como se o som pudesse carregar algo que ela ainda não tinha decidido sentir. Caminhou até a cama sem acender a luz, sentou-se por um instante e respirou fundo, permitindo que o corpo absorvesse o impacto tardio da conversa. Então era ele. O nome nos contratos. A presença silenciosa da casa. O homem do carro. Tudo encaixava agora, e não de um jeito confortável. Ana tomou um banho rápido, quase automático, como se o gesto ajudasse a reorganizar os pensamentos. Vestiu a camisola simples que costumava usar à noite, confortável, discreta, sem qualquer intenção além de descanso, e se deitou, encarando o teto no escuro. Não demorou para perceber que não dormiria tão cedo. Às vinte e duas e trinta, o som veio baixo. Não era choro. Era um resmungo insistente, irregular, aquele tipo de som que Kali fazia quando estava desconfortável, mas ainda se mantendo no limite
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