Capítulo 11 – Permanência

À noite, a casa mudava.

Não era algo visível de imediato, mas Ana percebeu logo no segundo dia: os sons ficavam mais espaçados, os corredores pareciam mais longos e o silêncio assumia um peso diferente. Durante o dia, a casa funcionava. À noite, ela observava.

Quando Mayra assumia o turno, por volta das dezenove horas, Ana costumava se recolher. Fazia isso sem pressa, mas também sem hesitação. Aprendera cedo que respeitar limites claros era a forma mais rápida de não criar ruídos desnecessários.

Naquela noite, porém, ela demorou mais na cozinha.

Cíntia estava ali, organizando algumas bandejas para o dia seguinte. Diferente de Dora, ela era mais expansiva, falava enquanto trabalhava, como se o silêncio não combinasse com ela.

— Você se adaptou rápido — Cíntia comentou, sem olhar diretamente. — Não é comum.

Ana apoiou o quadril na bancada.

— A rotina ajuda.

— Ajuda mesmo — Cíntia concordou. — Kali responde bem a quem mantém padrão.

Ana sorriu de leve.

— Percebi. Ela gosta de p
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