À noite, a casa mudava.
Não era algo visível de imediato, mas Ana percebeu logo no segundo dia: os sons ficavam mais espaçados, os corredores pareciam mais longos e o silêncio assumia um peso diferente. Durante o dia, a casa funcionava. À noite, ela observava.
Quando Mayra assumia o turno, por volta das dezenove horas, Ana costumava se recolher. Fazia isso sem pressa, mas também sem hesitação. Aprendera cedo que respeitar limites claros era a forma mais rápida de não criar ruídos desnecessári