Ana estava no quarto de Kali quando Dora apareceu à porta.
Não entrou de imediato. Ficou ali, apoiada no batente, observando em silêncio por alguns segundos. Ana percebeu pelo reflexo do espelho que a governanta estava ali, mas não se virou de imediato. Terminou de organizar os brinquedos, verificou se tudo estava no lugar e só então se levantou.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou, com naturalidade.
Dora negou com a cabeça.
— Não. Nada de errado.
Houve uma breve pausa, quase calculada.
— O senhor Roman retornou hoje — disse então.
Ana manteve a expressão neutra. Já sabia que aquele momento viria. Ainda assim, sentiu algo se ajustar por dentro, como se o corpo tivesse mudado levemente de postura antes mesmo da mente reagir.
— Certo — respondeu. — Ele pediu para falar comigo?
— Pediu — Dora confirmou. — Hoje. Às dezenove.
Ana assentiu devagar.
— Imagino que seja para alinhamento do contrato.
— Exatamente.
Dora entrou no quarto dessa vez, caminhando até o ber