Sexta-feira, dez da noite, e o andar executivo da Romano Group parece uma cidade fantasma. As luzes ficam mais frias, o corredor mais comprido, e o silêncio vira uma coisa que aperta o ouvido. Lá fora, Porto Sereno segue viva, barulhenta, brilhando pela janela com a Orla do Farol lá embaixo, mas aqui dentro tudo é controle. Eu estou sentada com o notebook aberto, planilhas e relatórios espalhados numa mesa que custa mais do que o meu carro velho que eu nem tenho. O prazo do primeiro relatório do Projeto Romano é absurdo, e eu estou fazendo o que sempre fiz na vida: correndo atrás antes que alguém venha me empurrar. Eu esfrego o olho, respiro fundo e volto pros números. — Isso aqui está errado. — Augusto diz, sem levantar a voz.Ele está do outro lado da mesa, manga da camisa dobrada, paletó jogado na cadeira, como se a única concessão humana dele fosse admitir que também sente calor. A caneta dele bate de leve no papel, num ritmo irritante. Eu olho pro que ele aponta e sinto a
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