A mensagem do Augusto virou um cronômetro na minha cabeça.
Esteja na minha sala às 8h.
Não dormi. Passei a noite encarando o teto e imaginando o que ele vai fazer. Me demitir? Me humilhar? Me processar?
Levanto às seis. O enjoo matinal vem pontual, violento. Vomito bile, lavo o rosto com água gelada até a pele ficar dormente.
Me olho no espelho. A olheira tá funda, roxa. O rosto pálido. Pareço uma criminosa prestes a se entregar.
— Reage, Lavínia. — Sussurro para o espelho. A voz sai rouca.
Vou para o armário. Hoje não é dia de vaidade, é dia de defesa. Escolho uma calça de alfaiataria preta que garimpei num brechó e mandei ajustar, e uma camisa branca social de tecido grosso. Abotoo até o colarinho. Nada de colo à mostra. Nada de pele. Se Augusto Romano quiser procurar marcas no meu corpo hoje, vai ter que ter visão de raio-X.
Saio do quarto pisando leve. Minha mãe, Sueli, já está na cozinha. O cheiro de café passado, que eu sempre amei, hoje me dá um reviravolta no estômago. Prendo