O som das pás do helicóptero de resgate cortava o ar da madrugada como facas, mas para Clarice, aquele ruído era apenas um eco distante dentro de um túnel infinito de gelo. Ela estava caída na areia, a poucos metros de Vitor, suas mãos — agora reduzidas a carne viva e areia incrustada — estendidas em um último espasmo de socorro. No entanto, os holofotes do resgate não buscavam a luz de seus olhos; eles buscavam o drama encenado por Beatriz. — Ela está respirando! Eu consegui manter o pulso dele! — Beatriz gritava, a voz embargada por um choro teatral, enquanto se jogava sobre o peito de Vitor, manchando a própria pele com o sangue que, na verdade, brotava das feridas de Clarice. O Sr. Valente saltou do bote de apoio antes mesmo que ele encostasse na areia. Ele ignorou o vulto imóvel da filha, cujo vestido branco de linho agora estava rasgado e sujo de graxa, e correu até Beatriz. Para ele, a imagem de Beatriz, desgrenhada e soluçante, era a prova irrefutável de uma coragem que ele
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