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Capítulo 8: O Retorno da Fênix

O jato da Thorne Capital cortou as nuvens sobre a Baía de Guanabara com a precisão de uma flecha. Sentada na poltrona de couro, Claire Thorne observava o Cristo Redentor lá embaixo. Dez anos antes, ela deixara aquela cidade como um fantasma, fugindo de uma sentença de insignificância. Agora, o ar que ela respirava era carregado de uma autoridade silenciosa.

— Eles acabaram de confirmar o jantar — disse Arthur, fechando o laptop. — O Sr. Valente está radiante. Ele acha que a "Mão de Gelo" de Londres vem para injetar o capital que salvará o pescoço dele. Ele não tem ideia de que está convidando o carrasco para a ceia.

Claire não respondeu. Ela apenas ajustou o diamante negro em seu pescoço. O brilho da pedra era como o seu coração: sólido, escuro e forjado sob uma pressão insuportável.

A mansão dos Valente em Santa Teresa tentava ostentar uma glória que o tempo e a má gestão haviam corroído. O jardim estava impecável, mas as paredes internas tinham aquele cheiro sutil de desespero mascarado por incenso caro. O Sr. Valente e Dona Helena vestiam suas melhores roupas, como se o luxo pudesse esconder a falência iminente. Vitor e Beatriz também estavam lá. Vitor parecia mais velho, o rosto inchado e os olhos perpetuamente cansados. Beatriz, em contrapartida, estava coberta de joias, uma armadura de ouro para esconder a vacuidade de sua vida.

— Sorria, Vitor — sibilou Beatriz entre dentes, enquanto se posicionavam na entrada. — Se os Thorne perceberem que você está acabado, eles vão reduzir o valor do aporte. Seja o herói que eles esperam.

— O herói... — Vitor murmurou com um escárnio amargo, entornando o resto de um copo de uísque.

O som do carro blindado parando no cascalho fez o Sr. Valente se empertigar. As portas duplas se abriram e o ar da sala pareceu baixar vários graus. Arthur Thorne entrou primeiro, sua presença emanando um poder que intimidou o Sr. Valente instantaneamente. Mas quando a mulher ao seu lado surgiu sob a luz do lustre, o tempo congelou.

Claire caminhava com uma graça felina. O vestido grafite moldava uma silhueta que emanava comando. Ela parou no centro do salão, seus olhos castanhos-dourados varrendo o ambiente com uma frieza que fez Helena soltar um suspiro curto.

— Sra. Thorne, Sr. Thorne... que honra incomensurável — começou o Sr. Valente, curvando-se levemente, o suor brilhando em sua calvície. — Eu sou o Sr. Valente, e estes são minha esposa, Helena, e meu genro, o herói nacional Vitor Albuquerque, com sua esposa Beatriz.

Claire parou diante de Beatriz. O contraste era brutal. Beatriz parecia uma boneca de porcelana barata diante de uma rainha de ébano.

— Um herói, Sr. Valente? — A voz de Claire era um veludo perigoso. — Eu li muito sobre esse "ato de coragem" nos relatórios de auditoria. É fascinante como algumas histórias são lucrativas, não é, Sra. Albuquerque?

Beatriz sentiu um calafrio. Aquela voz... havia algo nela que despertava um pânico antigo. — Eu... eu fiz apenas o que qualquer um faria — balbuciou Beatriz, tentando sustentar o olhar.

Vitor deu um passo à frente, os olhos fixos em Claire. Ele parecia estar vendo um fantasma. — Claire... Thorne? Seu nome me soa... familiar.

— O mundo é pequeno para quem tem memória curta, Vitor — respondeu ela, desviando o olhar para o Sr. Valente com um desprezo que o fez vacilar. — Eu vim aqui para falar de ativos, não de nostalgia. Vocês estão tecnicamente falidos. O Grupo Thorne detém 60% das suas notas promissórias vencidas. O que vocês chamam de "parceria", eu chamo de liquidação.

Helena deu um grito abafado, reconhecendo finalmente o olhar. — Clarice? Não... você está morta! Você desapareceu naquele hospital...

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Claire deu um passo em direção à mãe. — Clarice Valente morreu naquela praia, Helena. A filha que vocês descartaram como custo operacional foi enterrada pela indiferença de vocês. O que está diante de vocês agora é Claire Thorne. E eu não vim para o jantar. Eu vim para a partilha dos bens.

O Sr. Valente tentou falar, a arrogância lutando com o terror. — Você não pode fazer isso! Nós somos sua família! Você deve nos ajudar!

— Eu não devo nada a estranhos — disse Claire, enquanto Arthur entregava uma pasta preta a Vitor. — Dentro desta pasta está o meu primeiro lance. Eu comprei as hipotecas desta mansão e da sede da Albuquerque. Vocês têm 24 horas para desocupar os prédios.

Vitor abriu a pasta com mãos trêmulas. No topo dos documentos, não havia um contrato, mas uma pequena caixa de veludo. Ele a abriu. Lá dentro, brilhava o relógio de ouro que Clarice havia arrancado das ferragens do iate dez anos antes.

O mundo de Vitor desmoronou. Ele olhou para o relógio, depois para as mãos de Claire — onde as cicatrizes, embora finas, eram a prova final da sua traição. Ele olhou para Beatriz, que agora tremia como uma folha.

— Foi ela... — Vitor sussurrou, a voz quebrada. — Sempre foi ela.

— O leilão de suas almas começou, Sr. Valente — disse Claire, virando as costas. — E eu sou a única compradora.

Claire e Arthur saíram da mansão sob o som do colapso emocional de Vitor e dos gritos de desespero de Helena. No carro, Claire encostou a cabeça no ombro de Arthur. Ela não sentia alegria, mas uma paz gélida. A fênix havia retornado, e o fogo que ela trazia não era para aquecer, mas para purificar as cinzas do passado.

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