O som do silêncio na suíte presidencial do hotel era interrompido apenas pelo borbulhar suave de uma garrafa de água mineral sendo aberta. Claire Thorne estava de pé na varanda, observando o Rio de Janeiro começar a acender suas luzes como diamantes espalhados sobre veludo negro. Ela não sentia a euforia que imaginara dez anos atrás; sentia apenas a precisão cirúrgica de um trabalho bem feito.
Um batida hesitante na porta fez Arthur, que lia alguns relatórios no sofá, erguer o olhar. Ele olhou para o monitor da câmera de segurança e assentiu para Claire.
— O fantasma chegou — disse Arthur, levantando-se. — Vou deixá-los a sós. Mas lembre-se, Claire: a misericórdia é um luxo que eles nunca lhe deram.
Arthur saiu por uma porta lateral no momento em que Vitor Albuquerque entrava. Ele não parecia mais o herdeiro impecável da elite carioca. Estava sem gravata, o terno amarrotado e os olhos vermelhos. Em uma das mãos, ele apertava a pequena caixa de veludo com o relógio de ouro.
— Como