Se você chegou até aqui, já atravessou uma linha invisível. Não é uma linha que separa o certo do errado, o moral do imoral. É uma linha muito mais perigosa: a que separa o que se diz em voz alta do que se sabe em silêncio. E, se você a atravessou, eu também o fiz. Meu nome é Madison Falcone — ou ao menos é assim que escolhi me apresentar. Há outros nomes, é claro. Há a "Mad" que os amigos mais próximos conhecem; há os apelidos sussurrados em quartos de hotel; há os rótulos fáceis que a sociedade insiste em colar em qualquer mulher que viva seu desejo sem pedir permissão. Mas, aqui, para você, eu sou Madison. E este livro é o meu nome, escrito em tinta indelével, contando aquilo que nunca deveria ter sido dito em voz alta. Este projeto não nasceu de um momento de coragem súbita, não. A coragem é barulhenta, heroica, exige plateia. Este livro, ironicamente, nasceu do silêncio. De um silêncio pesado e sufocante que se acumulou ao longo de anos, preenchendo o espaço entre o que
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