Mundo de ficçãoIniciar sessãoCaminhei até a poltrona de couro ao lado dele e sentei. Não houve pressa. Não houve vulgaridade. Houve presença. Nossos joelhos não se tocaram, mas o espaço entre eles era carregado de eletricidade.
— Quer dizer que a festa não foi suficiente? — Arthur perguntou, erguendo a taça em um gesto irônico. — A festa é para eles. Este momento é para mim. Eu respirei fundo e fui direta, com a clareza que só a minha intensidade permite. — Eu sei quem você é para meu pai. Sei do seu status. Sei do risco dessa conversa. Mas eu escolhi você, Arthur, porque você me viu antes mesmo de eu te chamar. Ele não se moveu, exceto pelo leve tremor na mão que segurava o vinho. — Você tem certeza do que está dizendo? Certeza do que está escolhendo? — Tenho — respondi, sem hesitar. — Não estou aqui por rebeldia adolescente ou por vingança contra as regras. Estou aqui por soberania. A maioridade, para mim, não é a liberdade de ir; é o poder de escolher com quem ficar, e o que fazer. Meu corpo está clamando por um ato que não seja negociado. Um ato que seja puramente meu. E eu acredito que você entenderá isso. Arthur colocou a taça na mesa de apoio. O som do cristal batendo na madeira foi o mais alto de todo o nosso diálogo. — Eu não sou um novato, Madison. E não estou interessado em arruinar a reputação de ninguém, muito menos a sua, na sua noite. — Não é sobre reputação. É sobre a verdade. Você tem curiosidade, não tem? Você me observa há anos, vê a rigidez que me impuseram. Você se pergunta se há algo mais. E eu estou te dizendo que há. Não me olhe com medo ou culpa. Olhe-me com a mesma curiosidade atenta que me fez te escolher. Ele finalmente quebrou a distância, inclinando-se para a frente. — Você é diferente, Madison. Você não está se descobrindo. Parece que está se assumindo. — É a melhor descrição que já ouvi. Eu sou Ninfomaníaca, Arthur. Não é um segredo, é minha identidade. Meu desejo é constante. Ele é alto. E eu preciso de um parceiro que veja a consciência por trás da intensidade, não apenas o apetite. Ele tocou minha mão, o toque inesperadamente firme e quente. Não havia temor, mas um reconhecimento. — Eu entendo o que é viver com uma intensidade que o mundo não comporta. O beijo não veio apressado, mas como uma confirmação. Ele me tocou com cuidado, sim, não como quem teme, mas como quem respeita o material precioso que está manuseando. Havia curiosidade em seus lábios, em suas mãos, em como ele esperava minhas reações, como se quisesse aprender meu idioma antes de falar. Eu gostei disso. Gostei da maneira como ele me ensinava o ritmo sem me forçar a segui-lo. Eu perdi minha virgindade naquela noite, em um divã de couro na biblioteca escura, enquanto a música da minha própria festa abafava a respiração. Não vou descrever o que aconteceu depois em detalhes técnicos, porque a técnica era secundária. O que importou foi a sensação: a entrega consciente, o prazer sem sombra de culpa, a ausência completa de arrependimento. Eu não estava me descobrindo. Eu estava me assumindo. Meu corpo respondeu com generosidade. Minha mente permaneceu clara, lúcida, registrando a certeza de que eu tinha encontrado um espaço onde não precisava pedir desculpas por existir daquele jeito. Depois, ficamos deitados, refeitos e silenciosos. O silêncio não era constrangedor, mas o confortável — aquele que só existe quando duas pessoas se permitem estar ali sem desempenho, sem as máscaras que usavam no salão. — Você parece muito segura — ele comentou, a voz rouca, quase um sussurro. — Eu sou — respondi. — Eu não caí aqui por acidente. Eu fiz um mapa e o segui. Só não sei ainda como explicar essa certeza para o mundo. O mundo prefere que mulheres sejam confusas. Ele sorriu, o mesmo sorriso pequeno, honesto, que me havia atraído. — Eu não preciso de explicações. Quando me recompus e saí da biblioteca, não senti que tinha cruzado um limite. Aquele não foi o início de uma queda, mas o estabelecimento de um fundamento. Eu tinha atravessado uma porta que sempre esteve aberta, e o homem que me ajudou a passar por ela era um amigo de meu pai, um pilar de integridade social. O risco era alto, mas a verdade era mais alta ainda. Eu voltei para o salão, meus olhos agora mais azuis, o sorriso mais genuíno. A música parecia mais lenta, o champagne mais doce. Eu era a mesma Madison Falcone vestida de seda, mas a certeza que eu carregava agora era palpável. O sexo, para mim, nunca foi ruptura. Foi continuidade. E a minha estrada estava apenas começando.






