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CAPÍTULO CINCO: Chamada de Emergência I

​Eu tinha plena consciência. A certeza que me habitava desde a primeira vez na biblioteca de meu pai não era um fardo, mas um mapa. Eu era uma ninfomaníaca. E essa palavra, que o mundo usava para rotular o descontrole, para mim era sinônimo de uma exigência constante de vida, de troca, de sentir. Arthur tinha sido o meu primeiro ato de soberania, e os encontros no apartamento de luxo eram um oásis de intensidade. Ele era a dose certa de risco e de cumplicidade que eu precisava para enfrentar a rotina.

​Mas a verdade era nua e crua, como eu estava na maioria das vezes: só o Arthur não era suficiente.

​Meu desejo não era medido pela qualidade, mas pela frequência. Ele era uma onda constante, uma maré alta que subia e subia, independente de quem estivesse por perto. Por isso, a autodescoberta era uma rotina diária e indispensável. Eu me masturbava todos os dias. Às vezes mais de uma vez. Eu conhecia cada curva, cada ponto de pressão, cada sussurro que o meu corpo emitia em busca de prazer. Era minha forma de checagem, de aterrisagem. Se eu não podia sair por aí vivendo o desejo, eu o vivia dentro dos limites dos meus lençóis, mantendo a chama acesa.

​Naquela noite, o desejo estava especialmente voraz. Estava deitada na minha cama, um santuário de sedução em tons escuros e tecidos macios, assistindo a um filme erótico que eu havia encontrado online. Não era a história que me prendia, mas a textura, a iluminação, a dança dos corpos. Enquanto a tela piscava com fantasias alheias, eu me tocava, trazendo o foco para a minha própria e irrefutável realidade.

​O prazer subia em ondas lentas, depois se acelerava, transformando-se em um tremor delicioso que percorria minha espinha. Era um ato de absoluta intimidade e poder. Eu controlava o ritmo, a intensidade, a respiração. Eu estava no comando da minha própria tempestade. Quando o clímax veio, forte e rápido, senti o calor se espalhar, a mente ficando vazia por um segundo, e depois voltando com uma clareza cristalina.

​Fiquei deitada por um instante, o corpo ainda vibrando, a mão ainda entre as pernas. Naquele momento pós-prazer, veio a ideia. Era sempre assim: a lucidez vinha depois.

​Shopping. Eu precisava de roupas novas. Não apenas roupas, mas armaduras. Precisava de algo que me fizesse sentir mais à vontade para explorar a variedade que eu sabia que o futuro me reservava. Sorri para o teto, já planejando mentalmente o dia seguinte.

​Antes de me levantar, olhei para meus dedos. Brilhantes, melados com o meu próprio gozo. O sabor era familiar, doce e salgado, a assinatura inconfundível do meu prazer. Levei os dedos à boca, degustando a prova da minha própria satisfação. Aquele era um segredo que eu jamais partilharia com o mundo. Mas com Arthur… ele era diferente.

​Eu limpei as mãos, mas a ideia da provocação já estava plantada. Peguei meu celular, usei a luz fraca do abajur e tirei uma foto dos meus dedos ainda úmidos. Não era vulgar; era um troféu, uma declaração de posse sobre o meu próprio corpo.

​Enviei a foto para Arthur. A audácia era metade do prazer. Eu sabia que ele estava em uma reunião ou lidando com alguma coisa séria, e o ato de interromper a fachada dele com a minha verdade era intoxicante.

​Meu celular vibrou quase imediatamente. Ele respondeu.

​Arthur: Você estava se tocando?

​Seu tom de voz na mensagem era uma mistura de reprimenda e fascínio. Ele sabia a resposta, mas precisava da minha confirmação verbal para quebrar a formalidade do dia.

​Madison: Claro que sim. Você não está aqui para me distrair.

​A resposta foi direta. Sem floreios. Eu não pedia desculpas pela minha necessidade.

​Arthur: Você só pensa em sexo?

​A pergunta dele continha o julgamento que ele tentava disfarçar, mas que eu sabia que ele admirava.

​Madison: A maior parte do tempo, sim. É a minha principal linguagem. E você, Arthur, o que está fazendo, além de mandar mensagens para uma ninfeta safada?

​Arthur: Acabei de encerrar uma reunião online. Estou esgotado. Vou tomar um banho e deitar. Preciso de silêncio.

​Silêncio. Exatamente o que eu odiava. Eu não queria silêncio. Eu queria barulho. Eu queria invadir o silêncio dele com a minha presença.

​Madison: Posso tomar banho com você?

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