Eduardo sempre acreditara que lealdade era uma forma de inteligência. Cresceu ouvindo que sobrevivia melhor quem sabia obedecer, observar e agir no momento certo. Marcelo havia reconhecido isso nele desde o início — a capacidade de antecipar movimentos, de cumprir ordens sem fazer perguntas desnecessárias, de se tornar invisível quando preciso.Mas, ultimamente, a invisibilidade começava a pesar.Naquela manhã, Eduardo chegou ao escritório antes de Marcelo. O ambiente ainda estava silencioso, o vidro refletindo uma cidade que despertava lentamente. Ele colocou o café sobre a mesa, abriu o tablet e revisou mentalmente as últimas instruções recebidas. Nenhuma era ilegal, ao menos não no papel. Nenhuma deixava marcas diretas. Ainda assim, havia algo diferente.Não era culpa. Ainda não.Era desconforto.Marcelo entrou poucos minutos depois, impecável como sempre. Terno ajustado, expressão tranquila, passos firmes. O tipo de homem que parecia não carregar dúvidas.— Bom dia — disse Marcelo
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