Raquel decidiu não correr. Pela primeira vez desde que a crise começara, ela entendeu que a pressa era exatamente o que seus adversários esperavam. Escândalos alimentam-se de desespero; sobrevivem da tentativa apressada de apagar rastros. E Raquel não faria isso.
Ela faria o oposto.
Na manhã seguinte à última auditoria, convocou a equipe de comunicação, marketing e operações para uma reunião extraordinária. O clima na sala era tenso, mas Raquel entrou com passos firmes, o semblante calmo demais para quem estava sob ataque público.
— Não vamos fingir que nada aconteceu — começou, sem rodeios. — Vamos assumir que erramos onde erramos. E mostrar onde não erramos.
Alguns executivos trocaram olhares apreensivos.
— Isso pode reforçar a narrativa negativa — arriscou alguém.
Raquel apoiou as mãos na mesa.
— Não. Vai quebrá-la. Porque a narrativa atual nos coloca como vilões silenciosos. Eu vou torná-la humana.
E foi exatamente isso que ela fez.
Nas horas seguintes, a marca passou por uma refo