Eduardo não costumava desafiar Marcelo. Não porque lhe faltasse inteligência ou argumentos, mas porque aprendera cedo que algumas pessoas confundem questionamento com traição. Ainda assim, naquela manhã, algo nele havia passado do ponto de acomodação para o de urgência.
Marcelo estava de pé, diante da janela do escritório, observando a cidade com o mesmo olhar calculado de sempre. A diferença era sutil, quase imperceptível: a rigidez nos ombros, o maxilar tenso demais para alguém que dizia es