A tarde avançou pesada sobre a mansão.Não houve discussões abertas, nem cenas dramáticas. Ainda assim, Luna sentia que algo se reorganizava por baixo da superfície — como placas tectônicas ajustando posição antes de um terremoto silencioso.Ela passou parte do dia com Elias no jardim lateral, aquele que raramente era usado desde a morte da mãe dele. As roseiras continuavam bem cuidadas, mas o espaço permanecia evitado, como se o simples ato de pisar ali fosse um convite à memória.Elias desenhava novamente.Dessa vez, não a casa inteira. Apenas uma janela.— Por que essa janela? — Luna perguntou, sentando-se no banco de pedra ao lado.— Porque ninguém olha para ela — ele respondeu. — Só para a frente da casa.Luna observou melhor. A janela estava desenhada aberta, mas havia algo além dela: uma sombra longa, inclinada, que parecia se mover.— Quem estava ali? — perguntou, com cuidado.Elias não respondeu de imediato. Continuou desenhando, concentrado, como se precisasse terminar antes
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