A casa não dormiu naquela noite.
Não porque alguém estivesse acordado — mas porque algo havia sido deslocado do lugar.
E casas grandes sentem quando a ordem que as sustenta começa a rachar.
Luna percebeu isso logo cedo, antes mesmo de descer para o café. O silêncio não era o mesmo. Não era o silêncio habitual da mansão Valmont, disciplinado, quase elegante. Era um silêncio atento. Como se cada parede estivesse escutando.
Os funcionários se moviam com mais cautela. Olhares que antes evitavam contato agora se demoravam um segundo a mais. Não por curiosidade, mas por cálculo. Todos ali sabiam que algo havia acontecido na noite anterior. Não sabiam exatamente o quê — mas sabiam quem havia ficado.
Ela.
Luna atravessou o corredor principal com passos firmes, sentindo o peso invisível das expectativas. Não baixou o olhar. Nunca fora seu estilo. Quem já havia sido acusada injustamente aprendera cedo que parecer pequena não protegia ninguém.
Na sala de café, Elias já estava sentado.
Não comia.