CAPÍTULO 46 Quando o Silêncio Começa a Falar

Ninguém se moveu imediatamente.

O desenho ainda estava aberto sobre a mesa, como se tivesse peso próprio. Adrian continuava segurando o papel, os olhos fixos nas linhas simples demais para algo tão grave.

Três figuras.

Uma caída.

Duas de pé.

E uma delas nomeada.

Isabella.

— Isso não significa nada — ela disse, quebrando o silêncio com uma risada curta, nervosa demais para ser convincente. — É um desenho de criança. Uma brincadeira.

Elias não se encolheu. Não chorou. Não recuou.

Apenas levantou o rosto.

— Não é brincadeira — disse.

A voz saiu baixa, mas clara. Não havia esforço. Não havia tropeço. Era como se aquela palavra tivesse esperado anos pelo momento certo.

Luna sentiu o ar faltar por um segundo.

Adrian se virou lentamente para o filho.

— Elias… — começou, com cuidado. — Você falou.

O menino assentiu.

— Porque agora tem alguém ouvindo — respondeu.

Isabella deu um passo atrás.

— Isso é absurdo — disse, com firmeza forçada. — Você está manipulando essa criança.

Luna não respondeu
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