Ninguém se moveu imediatamente.
O desenho ainda estava aberto sobre a mesa, como se tivesse peso próprio. Adrian continuava segurando o papel, os olhos fixos nas linhas simples demais para algo tão grave.
Três figuras.
Uma caída.
Duas de pé.
E uma delas nomeada.
Isabella.
— Isso não significa nada — ela disse, quebrando o silêncio com uma risada curta, nervosa demais para ser convincente. — É um desenho de criança. Uma brincadeira.
Elias não se encolheu. Não chorou. Não recuou.
Apenas levantou o rosto.
— Não é brincadeira — disse.
A voz saiu baixa, mas clara. Não havia esforço. Não havia tropeço. Era como se aquela palavra tivesse esperado anos pelo momento certo.
Luna sentiu o ar faltar por um segundo.
Adrian se virou lentamente para o filho.
— Elias… — começou, com cuidado. — Você falou.
O menino assentiu.
— Porque agora tem alguém ouvindo — respondeu.
Isabella deu um passo atrás.
— Isso é absurdo — disse, com firmeza forçada. — Você está manipulando essa criança.
Luna não respondeu