A casa não voltou ao normal quando Isabella saiu.
Nada volta.
O silêncio que ficou era diferente do anterior — não pesado, mas inquieto. Como se as paredes estivessem escutando. Como se cada canto guardasse algo que ainda não tinha sido dito.
Adrian fechou a porta com cuidado excessivo. Não por respeito a Isabella, mas porque qualquer barulho parecia indevido naquele momento.
Elias continuava sentado no sofá, as pernas recolhidas, abraçando o próprio corpo. O desenho ainda estava sobre a mesa, agora virado para baixo, como se alguém tivesse decidido que ele precisava descansar.
Luna observava os dois, sentindo algo raro para ela: cautela emocional.
Ela sabia lidar com caos. Sabia entrar em casas rachadas e ler o que estava escondido nos detalhes. Mas aquilo não era um caso comum. Era um lar que tinha sido construído sobre silêncio — e silêncio, quando cai, derruba tudo junto.
— Você não precisava ter ficado — Adrian disse, quebrando o mutismo.
Luna olhou para ele.
— Eu quis ficar.
Ele