Na manhã seguinte, a mansão Valmont acordou sob um silêncio diferente.Não era apenas o silêncio da casa grande ou do luto antigo. Era um silêncio vigiado, pesado, como se cada parede estivesse escutando. Dois carros discretos permaneciam estacionados do lado de fora. Homens de terno circulavam pelo perímetro com passos calculados, atentos demais para serem confundidos com simples visitantes.Luna percebeu isso assim que entrou na cozinha.Helena, a governanta, estava ali — rígida, os movimentos contidos, o olhar fugindo sempre que Luna tentava cruzar com o dela. Aquilo não era comum. Helena sempre fora expansiva, maternal, quase uma segunda avó para Elias.— Está tudo bem? — Luna perguntou, tentando soar casual.Helena forçou um sorriso que não alcançou os olhos.— Claro, querida. Só… um pouco cansada.Mas Luna sentiu o arrepio subir pela nuca.Cansaço não fazia alguém evitar contato visual daquele jeito.No escritório, Adrian falava com o delegado Moura em tom baixo, porém firme.—
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