Ela não dormiu.
Não por ansiedade, mas por estratégia.
Passou a madrugada revisitando memórias que havia aprendido a manter organizadas — datas, nomes, situações. Tudo o que poderia ser usado contra ela, mas também tudo o que poderia ser usado por ela.
O erro deles era simples: acreditavam que ela sobrevivia por acaso.
Não sabiam o quanto precisara aprender a se sustentar em terreno hostil.
Pela manhã, escolheu a roupa com cuidado. Nada de exageros. Nada de submissão. Um equilíbrio preciso entre neutralidade e presença. O tipo de aparência que não grita, mas também não pede permissão.
Antes de sair do quarto, passou no da criança.
Ela estava acordada.
— Hoje é dia importante — disse a criança.
— É — ela confirmou. — Mas você não precisa se preocupar.
— Eu sei — respondeu. — Quem tem que se preocupar são eles.
Ela sorriu, apesar do nó no peito.
A reunião aconteceu na sala envidraçada do andar inferior.
Mesa longa. Cadeiras alinhadas. Três homens de terno. Isabella. Ele.
E ela.
Sentou-s