CAPÍTULO 43 — QUANDO A VERDADE RESPIRA

Ela não dormiu.

Não por ansiedade, mas por estratégia.

Passou a madrugada revisitando memórias que havia aprendido a manter organizadas — datas, nomes, situações. Tudo o que poderia ser usado contra ela, mas também tudo o que poderia ser usado por ela.

O erro deles era simples: acreditavam que ela sobrevivia por acaso.

Não sabiam o quanto precisara aprender a se sustentar em terreno hostil.

Pela manhã, escolheu a roupa com cuidado. Nada de exageros. Nada de submissão. Um equilíbrio preciso entre neutralidade e presença. O tipo de aparência que não grita, mas também não pede permissão.

Antes de sair do quarto, passou no da criança.

Ela estava acordada.

— Hoje é dia importante — disse a criança.

— É — ela confirmou. — Mas você não precisa se preocupar.

— Eu sei — respondeu. — Quem tem que se preocupar são eles.

Ela sorriu, apesar do nó no peito.

A reunião aconteceu na sala envidraçada do andar inferior.

Mesa longa. Cadeiras alinhadas. Três homens de terno. Isabella. Ele.

E ela.

Sentou-s
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