Isabella não voltou naquela noite.
Mas a ausência dela não trouxe alívio.
Trouxe movimento.
Luna percebeu antes de qualquer sinal concreto — uma mudança no ar, um tipo específico de silêncio que não significa paz, mas reorganização. Pessoas como Isabella não desaparecem. Elas recuam para recalcular.
A manhã chegou sem sol. O céu nublado parecia uma decisão adiada.
Elias tomou café em silêncio, desenhando círculos na mesa com o dedo. Adrian folheava o jornal sem ler nada. Luna observava os dois, consciente de que, a partir daquele ponto, cada gesto simples carregava peso jurídico, emocional e simbólico.
— Ela vai ligar — Elias disse de repente.
Adrian ergueu o olhar.
— Por quê?
— Porque sempre liga quando as coisas mudam — respondeu, como quem comenta o tempo.
Luna sentiu um aperto discreto no estômago.
— Elias — disse com cuidado —, quando isso acontecer, você não precisa atender. Nem responder mensagens.
Ele assentiu.
— Eu sei — disse. — Ela não gosta quando eu sei.
Adrian fechou o j