A noite caiu sobre a mansão como um acordo silencioso.
Nada parecia fora do lugar. As luzes estavam acesas na intensidade correta. O jantar foi servido no horário habitual. As conversas à mesa seguiram o protocolo invisível que todos ali conheciam — frases neutras, risos contidos, nenhum assunto que exigisse verdade.
Mas ela sentia.
Algo havia mudado.
Não era mais apenas tensão. Era expectativa.
A criança estava quieta demais. Não fazia perguntas. Não contava histórias. Comia em silêncio, observando cada movimento ao redor da mesa como se estivesse montando um quebra-cabeça invisível.
— Você está cansada? — ela perguntou em voz baixa.
A criança balançou a cabeça.
— Estou prestando atenção — respondeu.
Ela não insistiu.
Do outro lado da mesa, Isabella conversava com um dos convidados da noite — um homem de meia-idade, bem-vestido demais para estar ali por acaso. Ele sorria muito. Isabella também. Mas havia algo duro naquela troca, como dois jogadores experientes fingindo cordialidade a