A decisão de escolher, em vez de improvisar, deveria trazer alguma sensação de controle. No entanto, na prática, ela apenas tornava tudo mais intenso. Saber que não se tratava mais de evitar, mas de administrar, fazia com que cada gesto ganhasse um peso novo. Não havia mais ingenuidade no que se passava entre nós. Havia consciência. E isso tornava o desejo menos impulsivo e muito mais perigoso.Naquela manhã, a casa despertou envolta em uma quietude estranha. Não era silêncio absoluto, mas um ritmo mais lento, como se tudo se movesse com cautela. Lorenzo ainda dormia, e os funcionários mantinham suas rotinas com discrição, respeitando o horário mais tardio do fim de semana. Eu desci as escadas com passos cuidadosos, sentindo o corpo mais desperto do que deveria, atento demais ao próprio entorno.Encontrei Dante na cozinha, sozinho, preparando café. A camisa estava dobrada até os antebraços, o cabelo ainda levemente desalinhado, e havia algo de deliberado na forma como ele ocupava aque
Ler mais