A interrupção daquela noite não foi suficiente para dissipar o que havia se formado entre nós. Pelo contrário. Ela apenas deslocou a tensão para um lugar mais profundo, onde o corpo guardava a memória com mais fidelidade do que a razão era capaz de administrar. Nada tinha sido concluído, mas também nada permanecia intacto. Era como se tivéssemos parado à beira de um abismo e, ao recuar, tivéssemos passado o resto do caminho conscientes demais da queda possível.
Na manhã seguinte, acordei antes do despertador, com o corpo inquieto e a mente presa à lembrança do escritório, da proximidade excessiva, do toque que não deveria ter acontecido e da batida na porta que nos devolvera à realidade com violência. Não havia culpa propriamente dita, mas havia peso. Um tipo específico de peso que nasce quando se percebe que algo importante foi deslocado de lugar e não há mais como fingir neutralidade.
Levantei-me devagar, tentando organizar pensamentos que insistiam em se misturar às sensações físic