O dia seguinte amanheceu com a sensação incômoda de que nada estava exatamente no lugar. Não era algo visível, nem concreto, mas uma percepção que se alojava no corpo, como um alerta baixo e contínuo. A mansão seguia seu ritmo habitual, mas eu já não caminhava pelos corredores do mesmo jeito. Havia uma consciência nova em cada passo, em cada respiração, em cada silêncio que se estendia além do necessário.
Eu acordara cedo no quarto de hóspedes, ainda sentindo o eco da voz de Dante no corredor, o peso das palavras que ele não dissera, o gesto interrompido da mão suspensa no ar. O “boa noite” tinha sido tudo, menos um encerramento. Era um aviso.
Quando cheguei à cozinha principal, Helena já estava organizando a mesa do café. Ela me cumprimentou com um sorriso tranquilo demais para ser inocente.
— Bom dia, Laena — disse, observando meu rosto com atenção. — Dormiu bem?
— Dormi — respondi, depois de uma breve hesitação. — Ou algo parecido com isso.
Ela assentiu, como se aquela resposta con