Depois da conversa no escritório, nada foi dito explicitamente, mas tudo passou a ser sentido com mais força. A decisão de “ir com calma” não significava ausência; significava atenção redobrada. Cada gesto, cada aproximação casual, cada silêncio passou a carregar um peso novo, quase elétrico.
Eu sentia isso no corpo antes mesmo de perceber racionalmente.
Dante estava mais presente. Não fisicamente — ele sempre estivera —, mas atento de um jeito diferente. Observava meus movimentos com cuidado contido, como se estivesse consciente demais do efeito que eu causava nele. Não havia mais fuga no olhar. Quando nossos olhos se encontravam, ele sustentava. E isso era muito mais perigoso.
Naquela tarde, Lorenzo insistiu em montar um quebra-cabeça grande na sala de estar. Espalhou as peças pelo tapete, sentou-se no chão e exigiu que participássemos. Dante aceitou sem hesitar, arregaçando as mangas da camisa e se sentando ao meu lado. A proximidade era casual demais para ser evitada, íntima demai