A cozinha infantil era sempre o lugar mais iluminado da casa — talvez pelo piso claro, talvez pelas janelas enormes, talvez porque Lorenzo costumava preencher tudo ali com alguma cor inesperada. Mas naquela tarde, enquanto eu colocava frutas no pote dele, a luz parecia diferente. Estava consciente demais, como se observasse meus movimentos do mesmo modo que eu observava meus próprios desde que Dante havia segurado meus braços na sessão do terapeuta ocupacional.
Eu estava cortando morangos quando a luva úmida escorregou e a faca caiu da minha mão direto para o chão. Não me machuquei, mas dei um pulo tão rápido que bati o quadril na bancada. Para completar o caos, o pote de iogurte deslizou perigosamente para a borda da pia.
— Não. Não. Não! — murmurei para mim mesma, tentando evitar o desastre anunciado.
O pote escorregou. E, como sempre, no exato instante em que algo dava errado, Dante apareceu.
A mão dele entrou no meu campo de visão e segurou o pote antes que ele tocasse o chão. O s