O dia começou com uma quebra abrupta da rotina, daquelas que não fazem barulho imediato, mas deslocam tudo por dentro. Eu ainda organizava os materiais da manhã quando Helena surgiu à porta da sala infantil, com uma expressão séria demais para aquele horário. O tom de voz dela, baixo e contido, foi suficiente para me colocar em alerta antes mesmo de qualquer explicação.
Ela explicou que Lorenzo havia caído no jardim. Nada grave, garantiu rapidamente, mas o suficiente para assustá-lo. Acrescentou, quase como um detalhe que não era detalhe algum, que Dante havia pedido que eu estivesse junto. Não fiz perguntas. Apenas fui.
Lorenzo estava sentado no sofá da sala menor, o joelho limpo, levemente avermelhado, os olhos ainda marejados pelo susto recente. Quando me viu, abriu os braços num gesto imediato e instintivo, e eu me ajoelhei diante dele antes mesmo de pensar. Ele se agarrou ao meu pescoço com força, como se quisesse garantir que eu não sairia dali.
Passei a mão em suas costas com c