Nada voltou ao normal no dia seguinte, embora tudo parecesse exatamente igual à primeira vista. A mansão seguia seu ritmo preciso, os funcionários cumpriam suas funções com a mesma eficiência silenciosa, e os corredores mantinham a mesma imponência de sempre. Ainda assim, algo havia mudado de forma irreversível, e eu sentia isso em cada passo que dava.
Acordei antes do horário habitual, com o corpo inquieto e a mente presa ao que tinha acontecido na noite anterior. O beijo não era apenas uma lembrança; era uma presença insistente, uma sensação física que se recusava a se dissipar. Eu ainda sentia o peso das mãos de Dante, a força contida, o momento exato em que o controle dele havia cedido. Aquilo não fora um impulso passageiro. Tinha sido um rompimento.
Quando cheguei à cozinha, Helena já organizava o café da manhã. Ela me cumprimentou com naturalidade, mas o olhar demorou um pouco mais no meu rosto, atento demais para ser casual.
— Bom dia, Laena — disse. — Parece cansada.
— A no