A decisão de manter limites passou a exigir mais esforço do que qualquer outra coisa naquela casa. Não porque eles fossem constantemente quebrados, mas porque eram testados o tempo todo, em gestos pequenos demais para parecerem perigosos e intensos demais para serem ignorados.
Eu sentia isso no corpo antes mesmo de perceber racionalmente. Uma tensão baixa, constante, que se acumulava a cada vez que Dante entrava no mesmo ambiente, a cada vez que o olhar dele demorava mais do que deveria, a cada silêncio prolongado que não precisava existir.
Naquela tarde, Lorenzo insistiu em brincar no jardim dos fundos. O sol estava ameno, e eu concordei sem pensar muito, levando uma toalha e alguns brinquedos. Dante apareceu pouco depois, tirando o paletó e dobrando as mangas da camisa, um gesto simples que, por algum motivo, mexeu comigo mais do que deveria.
Ele se sentou próximo, observando Lorenzo correr, atento e presente. Em certo momento, me aproximei para ajudá-lo a subir num pequeno escorreg