A casa parecia mais silenciosa naquela noite, como se até os corredores soubessem que algo estava prestes a atravessar uma linha invisível. Lorenzo já dormia, exausto depois de um dia cheio, e a rotina finalmente desacelerava. Eu recolhia alguns objetos esquecidos na sala quando percebi que não estava sozinha.
Dante estava encostado no batente da porta, observando-me com atenção contida. Não havia pressa no olhar dele, nem tentativa de disfarce. Era uma presença firme, consciente, como se ele tivesse escolhido aquele momento com cuidado.
— Você devia descansar — disse ele, por fim. — Amanhã o dia começa cedo.
— Eu sei — respondi, pousando o último objeto sobre a mesa. — Já estava indo.
Mas nenhum de nós se moveu.
O silêncio que se instalou não era desconfortável; era denso. Eu sentia o corpo mais atento do que deveria, cada músculo alerta à proximidade dele. Dante deu um passo à frente, parando a uma distância mínima, calculada demais para ser casual.
— Desde ontem — disse ele, com a